Toquinho canta “Aquarela”
Mércores Decembro 11th 2013,
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Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo.

E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo.

Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva.

E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva.

Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel,

num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.

Vai voando contornando a imensa curva norte sul.

Vou com ela viajando, Havaí, Pequim ou Istambul.

Pinto um barco a vela branco navegando.

É tanto céu e mar num beijo azul.

Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená.

Tudo em volta colorindo com suas luzes a piscar.

Basta imaginar e ele está partindo, sereno indo,

e se a gente quiser ele vai pousar.

Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida,

com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida.

De uma América a outra eu consigo passar num segundo.

Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo.

Um menino caminha e caminhando chega num muro.

E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está.

E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar.

Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar.

Sem pedir licença muda nossa vida, e depois convida a rir ou chorar.

Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá.

O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.

Vamos todos numa linda passarela de uma aquarela

que um dia enfim….

descolorirá!

Letra de Toquinho e Vinicius de Morães.
Álbum: Aquarela (1983)